Promoter Paulo Marinho: 15 anos de carreira na noite e muitas histórias

Aos 38 anos de idade, que serão celebrados neste sábado em uma mega festa, o promoter Paulo Marinho já viveu muitas histórias. Hoje comandando a agenda do Duo Lounge e do D.Led club, de Balneário Camboriú, ele tem muitas histórias para contar, e não só da noite, onde ganha a vida desde os 23 anos de idade. Tudo começou com uma festa temática que promovia com personagens da Disney na extinta boate Insanus, de Curitiba. A Mickey Party deu tão certo que ele começou a promover suas festas na capital paranaense, começando por after hours, então inéditos na cidade, no Legends, onde hoje funciona a Cats Club, que era sinônimo de moderno aos curitibanos nos anos 90. Em seguida promoveu a Rave Circus, sua primeira festa, queria o destino em Balneário Camboriú, onde mora hoje.

Ele passou pelos clubes Elektra (que deu origem ao projeto da Box), Cats (que até hoje é hotspot da noite curitibana) e Gaas (único clube que segundo Marinho faliu, mas depois de sua saída). Em uma breve entrevista com a Lado A, Marinho fala um pouco sobre a noite, sua experiência como drag queen e a viagem que fez para a Holanda, onde morou por 3 anos e chegou a trabalhar de faxineiro.


Todo mundo fala que o glamour acabou, comparando com os clubes dos anos 80/90,  o que mudou?
Mudou a informação, a segmentação! A informação chega mais rápida, todo mundo tem acesso, deixou de ser uma coisa exclusiva, pra gente selecionada. É a profissionalização do ramo...isso é inevitável com o progresso e com a internet! A segmentação veio dessa evolução e da quantidade de eventos disponíveis, cada vez mais fica dirigido. Gays, héteros, lésbicas, cada um tem seu tipo de club e lugar, assim como esses, tem também seu tipo especifico de música! Tudo está definido e separado por grupos, isso faz q o “inesperado e curioso”  fique mais difícil de se promover!

Você já lançou vários DJs de sucesso, o que é preciso para ser um bom DJ?
Técnica é o primeiro quesito, aliado ao bom gosto e desenvoltura profissional! Tenho orgulho de ver DJs como Ale Bittencourt e Roger Maia, entre os melhores DJs do país! Porque gostam do que fazem, além de saberem o que fazem! Tem DJ q é bonito e não sabe tocar, tem DJ que toca bem e nunca bateu nem uma foto bacana pra divulgar a imagem! O conjunto da obra é importante, na medida q essa profissão cresce!
 
Você teve uma fase drag queen, passou essa fase?
 Meu personagem (Paulita Mouse) era tão construído pela técnica da transformação, que era montaria pura. Essa fase passou sim, mas me lembro com carinho do tempo em que as drags eram tão reconhecidas... acho que hoje os DJs e promoters ganharam o mercado, por isso escolhi mudar!
 
Quando você foi morar na Holanda (quanto tempo passou lá?), o que foi fazer por lá? Qual era o objetivo? O que aprendeu?
Fui aprender varias coisas. Primeiro, que todo trabalho por mais simples que seja, pode ser digno. Fui faxineiro em casa de famílias milionárias, ganhei muita grana, fazia meu trabalho com carinho e era bem recompensado e admirado por todos que eu trabalhei! Sinto muita falta deles todos! Criei amizades importantes e fiz assessoria de moda make up e hair pra algumas clientes e fiz assessoria pra eventos. Eu estudei inglês na Folks University, o que me tornou bilíngüe, e isso é essencial hoje em dia. Fiquei 3 anos, e o objetivo era crescer culturalmente, aprender com os mais velhos, os holandeses são muito respeitosos, aprendi a gostar de velhos crianças, todos, sem distinção. Aprendi que o preconceito é um câncer na sociedade e que a intolerância é um atraso em qualquer aspecto. E pretendo voltar em breve, agora como italiano, pois estou tirando minha cidadania!

Hoje morando em Balneário Camboriú, qual a diferença da noite catarinense e da curitibana?
A noite catarinense é meia complexa, tem mais detalhes, mais concorrentes, mais opções! Todos estão focados no turismo da temporada e durante o resto do ano, as cidades meio que competem entre si, os eventos são divulgados em toda região. Curitiba vive da população local, tem adeptos de fora, mas as festas vivem por si próprias, não dependem do publico de fora, é mais previsível! E o catarinense é mais exigente, talvez pela mistura de públicos.

Qual a tendência hoje em termos de balada GLS?
Para o meu publico, a tendência é estrutura, música de qualidade, do atendimento! Essa coisa de banheiros sujos, bebida quente, som ruim não rola mais. Eu privo pela qualidade, desde o atendimento na recepção até a hora em que o cliente vai para casa!  Eficiência no serviço é o diferencial, estudar o publico gay de maneira particular é fundamental nos dias de hoje.


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