O casamento gay também é uma ideia heteronormativa?

O premiado curta-metragem brasileiro Eu Aceito (2014), disponível no Youtube, conta a história de um jovem que pede o namorado em casamento. A história se desenrola quando a resposta é negativa, porque o menino cuja mão foi pedida acredita que o casamento, da forma que existe e é imaginada, é mais uma tradição construída pelo patriarcado e pela heteronormatividade. Até que ponto essa afirmação tem seus méritos?
 
Para começar, é preciso entender o que é heteronormatividade. É preciso entender que o conceito vai muito além da ideia de orientação sexual, têm a ver com os padrões sociais impostos para uma vida “normal”. A heteronormatividade é a construção social que baseia a relação heterossexual como normativa, ou seja, como um padrão ideal e aceitável. Mais além, ela pontua comportamentos desviantes como errados e necessários de correção.
 
Por que seria heternormativo, então, o casamento gay? A ideia é que não existe casamento gay, a instituição social casamento é tradicionalmente construída como o objetivo amoroso de casais heterossexuais, tanto é que, em diversos países, legalmente, ele só é permitido a casais formados entre homens e mulheres. Essa ideia é colocada na mente de todas as pessoas desde criança, com as princesas da Disney se casando com seus príncipes encantados, com os mocinhos das novelas protagonizando os maiores casamentos do roteiro, com o mercado da moda voltada, também, para o mercado de noivas de forma intensa, inclusive, com um mês do ano destinado a ele.
 
No conceito raiz da palavra heteronormatividade, há uma denotação de práticas, tradições, relações e situações praticadas entre casais de sexos opostos. Ou seja, o casamento monogâmico seria uma tradição heteronormativa, de fato.
 
O outro lado da moeda
O outro lado da moeda resiste na luta da comunidade LGBT. O casamento civil entre pessoas LGBTs é legal somente porque muitos ativistas se empenharam incansavelmente durante anos para que lésbicas e gays tivessem seus direitos equiparados. Por que esse direito deveria valer menos apenas porque ele é uma tradição heteronormativa? Por que a comunidade LGBT não pode ressignificar a ideia de casamento, da mesma forma que tem feito com tantas outras instâncias sociais?

Assista o divertido curta Eu Aceito:


 


 

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