Jovem gay é agredido por seguranças em show sertanejo no litoral de São Paulo

Nilvã Lucena, 23, afirmou ter sido agredido em uma casa de shows durante uma apresentação sertaneja, em Peruíbe, litoral de São Paulo. A violência aconteceu no dia 10 de setembro, domingo, antes do show da dupla Jorge e Mateus. O rapaz que trabalha como atendente de caixa, informou que os seguranças do estabelecimento são responsáveis pela ação e tentaram expulsá-lo do local sem nenhum motivo. A hostilidade sofrida pela vítima foi de cunho homofóbico, conforme declarou o rapaz em entrevista ao site da G1. Nilvã conta que foi ao banheiro e, enquanto aguardava sua vez na fila, foi surpreendido por um segurança que o rendeu com uma ‘gravata’, golpe no qual a vítima é imobilizada pelo pescoço. O rapaz foi conduzido até uma área afastada, atrás do palco, onde segundo o segurança eles iriam ter uma “conversinha”.
 
Nilvã levou chutes e socos durante o trajeto até a área mencionada pelos seguranças e pediu ajuda aos demais presentes. "Quando eu vi, tinha cinco seguranças e eu estava no meio. Eu gritei, até que algumas pessoas me reconheceram e pediram para que parassem de me bater. Eu achava que eles estavam me confundindo com alguém, não consegui entender", relata. Atendendo ao pedido de socorro, algumas pessoas, entre elas outro segurança, pediram para que as agressões parassem. O chefe de segurança alegou que recebera um chamado denunciando um comportamento impúdico no banheiro, no qual estavam sendo exibidos os órgaos genitais e por isso Nilvã estava sendo detido. "Eu não estava fazendo nada. Eu estava na fila, de onde fui tirado. Não havia argumento", defendeu-se Nilvã. 
 
A homofobia do ato configurou-se quando um dos seguranças teria pedido para soltar o rapaz, tendo como resposta que Nilvã não seria um rapaz, e sim, um ‘viado’. "Fui vítima de homofobia, sim. Ao mesmo tempo em que tinha vergonha, pois todo mundo me olhava, eu tinha medo de apanhar e morrer", reiterou a vítima ferida pelas agressões. 
 
O operador de caixa agredido lamentou o ocorrido, uma vez que pagou pelo show mas foi retirado antes mesmo de começar. Não pôde ver seus ídolos pois estava sendo vítima de mais um despreparo por parte de seguranças. O jovem afirmou já ter passado por situações homofóbicas, mas nunca nesse nível. Reiterou ainda, que vai processar a organização do evento e conta com seus cinco amigos como testemunhas, pois estavam presentes durante as atrocidades. 

Em nota, a administração da Arena Peruíbe, responsável pelo evento, negou todas as acusações e considerou os relatos de Nilvã improcedentes. Mantiveram o argumento de que a segurança foi notificada sobre atos impúdicos dentro do banheiro e, quando repreendido, Nilvã teria continuado o gesto, forçando os seguranças a retirá-lo do local. Na mesma nota, a organização do evento informou que serão investigados quaisquer excessos, e reiterou sua postura contrária à violência e discriminação. “As atrações do evento atraíram grande público da comunidade LGBT, razão pela qual se mostra infundada qualquer imputação de preconceito ou discriminação, de qualquer sorte, precisamente pelo fato de representarem grande parcela dos espectadores presentes”, concluiu a nota. 

 
 

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