Guerra das bolinhas: Pastor deputado declara guerra contra igualdade de gêneros e marca de sabão

Ideologia de gênero é uma invenção de pessoas que querem acusar quem defende a igualdade dos gêneros de subversão. Para isso, usam as crianças como escudo, já que a batalha de desigualdades entre gêneros vem desde a infância, quando crianças são ensinadas que meninos e meninas tem diferenças que justificam o homem ganhar mais e as mulheres serem escravizadas. Sim, as mulheres são escravas de uma imagem de castidade e pureza que aos homens não é exigida com um fardo.

Mulheres são violentadas e discriminadas, diariamente, sobretudo em países onde a “família tradicional” impõe que mulheres são propriedades dos homens e que isso justifica toda a opressão que sofrem. Devem cuidar da casa, dos filhos e não questionar o marido, ou o chefe, ou qualquer outro homem. Devem aguentar o assédio e se reclamarem são culpabilizadas pois não agiram como uma mulher deveria agir. No Brasil não é diferente e temos casos de sobra para exemplificar. A ideologia empregada então é a mesma representada na Bíblia: Adão cedeu uma costela para Deus criar Eva e ele a fez para servi-lo. E se sobrar alguma dúvida, a natureza do homem é a culpada, pois homem é força e mulher, razão. E na teoria ela não pode abandonar a família, mas eles podem.

Foi fazendo um convite a questionar estas diferenças que a marca de sabão OMO fez um comunicado para pais e mães neste dia das crianças, pedido para que deixe os filhos brincarem com o que quiserem, sem restrições de o que é brincadeira de menino ou menina. E isso enfureceu os que defendem a bandeira de separação dos gêneros, que colocam no meio da discussão outros assuntos como sexualidade, transexualidade ou ainda que os meninos ficariam afeminados e as meninas perderiam a feminilidade.

O deputado pastor Marco Feliciano mais uma vez evocou “as nossas crianças” para mostrar que não entendeu a mensagem e deixou escapar que defende o “homem protetor” e a “mulher amamentadora”. Ele pergunta, antes de convocar boicote ao sabão, se é possível um menino brincar de amamentar. Obviamente eles podem e deveriam brincar de dar mamadeira aos filhos, ou a trocar fraldas, ou a cozinhar.

A celeuma é tanta que o pastor evoca Martin Luther King Jr. que tanto lutou pelos direitos civis nos EUA, de quem a viúva foi grande militante pelos direitos LGBT, após o assassinato do marido, um ano antes da revolta de StoneWall, que teve uma das protagonistas uma mulher trans negra. Feliciano evoca uma guerra, evoca Deus, diz que o estado totalitário ameaça a família, a fé e as crianças. Pede que seja sem violência mas seu discurso inflamado e desnecessário só serve para uma coisa: se auto promover. Mas como efeito colateral temos uma legião de ignorantes que não entendem nem o assunto e nem a atitude inconsequente do pastor.


 





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