Quem é e o que diz Judith Butler, uma das maiores intelectuais sobre gênero do mundo

Recentemente, a filósofa americana Judith Butler veio ao Brasil esta semana para participar de um evento com outros intelectuais. O encontro tem como objetivo debater questões sobre democracia no Brasil e no mundo. Grupos conservadores fizeram diversas manifestações contra a visita de Butler, uma vez que a filósofa é autora de consagradas teorias sobre gênero. Aos 61 anos de idade, nascida em Cleveland, Ohio, ela é um dos principais nomes da filosofia pós-estruturalista estadunidense.
 
Judith Butler é muito citada no meio intelectual por suscitar reflexões sobre performances e as diversas possibilidades de gênero. Em sua famosa obra “Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade” (1990), a pensadora afirma que existem diversas possibilidades para um indivíduo se portar socialmente, seja como homem ou mulher, independente do sexo que lhe foi atribuído ao nascer. A filósofa complementa ainda, que é possível existir sem se prender ao que ela chama de “binarismos de gênero”, isto é, não é necessário se identificar como homem ou mulher, podendo se intitular como gênero neutro ou fluido. Butler é considerada uma estudiosa pós-estruturalista, isso significa que é pioneira em suas teorias que permitem performances e manifestações constantes de gênero, com é o caso do Queer, termo que abrange representações de gênero através de comportamento. Para a filósofa, gênero é uma construção social, uma questão identitária e não apenas algo determinado por sexo biológico.
 
Diante de suas teorias libertárias, sem rótulos e oriundas de estudos com pessoas que vivenciam tais experiências, Butler é rejeitada por grupos conservadores. Está crescendo no Brasil a onda conservadora que considera os atuais estudos de gênero uma ameaça contra a ordem social vigente. Movimentos sociais com o intuito de inibir o livre pensamento e debate sobre questões de gênero estão se formando na internet e organizando manifestações. Foi o que aconteceu ontem, em São Paulo, em frente ao Sesc Pompéia. Butler se apresentaria no local, trazendo seus conhecimentos para o seminário “Os Fins da Democracia”, organizado pela universidade de São Paulo (USP) junto com a Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos EUA, onde Butler leciona.
 
Uma petição online contra a palestra da filósofa chegou a reuniar mais de 360 mil assinaturas sob o argumento de que “sua presença em nosso país num simpósio comunista, pago com o dinheiro de uma fundaço internacional, não é desejada pela maioria esmagadora da populacao”. Os conservadores alegam que a estudiosa estaria promovendo o que eles chamam de “ideologia de gênero” e indo contra os princípios tradicionais e familiares intimamente ligados à preceitos religiosos. Os manifestantes queimaram um boneco com orosto de Butler e, aos gritos de “queimem a bruxa” e “pela família tradicional brasileira”, entoaram o coro da ignorancia.

Grupos favoraveis a participacao de Butler no seminario tambem estiveram presentes no local. Para os simpatizantes da filósofa, “a democracia é feita da possibilidade de nos expressarmos sobre qualquer questão. Mas essas pessoas fazem uma leitura equivocada da fala de Judith, que expressa justamente a possibilidade de se sobreviver as agressoes como escola, familia e trabalho, idenpendentemente do que os cidadãos pensem”, disse o psicólogo Gabriel Siqueira. Butler participou da conferência mesmo sob protestos e concentrou suas falas apenas no que tange à democracia, tema do evento. Por outro lado, a filósofa se manifestou sobre as objeções que sua visita causou. “Em que século estamos? Não podemos nos livrar das nossas histórias. A luta pela liberdade é também a luta pela expressão e o pensamento livres e não à reprodução dos poderes repressivos, mesmo quando esse pensamento amedronta muita gente. Não há como estabelecer a plena democracia sem aigualdade e liberdade de genero”, declarou Butler.
 
 

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