Ex-juiz conservador do Texas é acusado de estuprar um jovem por décadas

O ex-juiz e conservador Paul Pressler, de 87 anos, foi acusado de estuprar um menino por várias décadas, começando quando a vítima tinha apenas 14 anos de idade. A acusação aparece em um processo arquivado no mês de outubro deste ano, no condado de Harris, região metropolitana do Texas, nos Estados Unidos.
 
O processo arquivado afirma que Paul Pressler, ex-jurista da 14ª Corte de Apelações do Texas, entre 1957 e 1959, abusou sexualmente de Duane Rollins. O jovem era estudante bíblico em uma instituição cristã dirigida por Pressler e foi abusado por anos, desde o final da década de 1970. As agressões teriam diminuído, mas não cessado, somente no começo de 1983, quando Rollins começou a faculdade. 

Os abusos consistiam em sexo anal. De acordo com o processo, Pressler dizia a Rollins que ele era “especial” e que o contato sexual era necessário como uma forma de santificá-lo à Deus. O ex-jurista é uma figura religiosa muito estimada no Texas, e usou esse aparato como base para lançar um movimento conservador nas décadas de 1970 e 1980 para expulsar liberais da igreja. Outros membros de organizações religiosas coordenadas por Pressler também são citados no processo, como sua esposa Nancy Pressler, e seus sócios Jred Woodfill e Paige Patterson. A Primeira Igreja Batista de Houston também está sendo responsabilizada pelos estupros, cujo processo movido por Rollins pede indenização de mais de 1 milhão de dólares.

Para defender seu cliente das acusações, Ted Tredennick, advogado de Pressler, alega que Duane Rollins possui histórico de crimes e uso de drogas.  "Sr. Rollins é claramente um homem profundamente perturbado, com um histórico de múltiplos crimes e encarceramento, e é o auge da irresponsabilidade que alguém apresentaria um caso tão bizarro e frívolo - muito menos relatório sobre isso", disse.
 
Daniel Shea, advogado de Rollins, afirma que os problemas do rapaz com a justiça e com o uso de entorpecentes foram desencadeados pelos abusos que sofrera na infância. Em 1998, Rollins foi condenado a 10 anos de prisão por roubo e solto em 2000 quando Pressler interviu. O ex-jurista teria solicitado à justiça que libertasse Rollins, prometendo empregá-lo e supervisioná-lo pessoalmente por toda a vida. Shea alegou ainda, que o psiquiatra Harvey Rosenstock, que ouviu Rollins na prisão, afirmou que o jovem é extremamente confiável quando faz declarações sobre os abusos que sofreu. 
 
Um dos sócios de Paul Pressler, o também acusado Jred Woodfill, alegou que as acusações contra o legislador são “absolutamente falsas” e que não passam de uma “tentativa de extorquir dinheiro”. Woodfill disse ainda que planeja endossar acusações contra Rollins e seu advogado, revogando sua liberdade concedida em virtude da intervenção de Pressler, em 2002. 
 
Em 1989, quando ainda realizava abusos segundo Rollins, Pressler foi escolhido pelo então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para liderar o Escritório de Ética Governamental. No entanto, o legislador foi deposto do cargo após uma investigação do FBI, cujos relatórios não especificam o motivo da demissão de Pressler, apenas citam o afastamento devido a questões éticas. 
 
 

Categoria: 

Tags: 




Comentar

Conteúdo relacionado