Rússia tem primeiro abrigo para jovens LGBT em situação de risco

Na Rússia, um dos países onde a homofobia exerce forte opressão, existe agora uma instituição de abrigo e refúgio para a população LGBT. Desde 2013, a Rússia adotou uma lei contra qualquer tipo de conteúdo homossexual destinado a menores de idade, o que inclui censura nas escolas, e tais medidas aumentaram os casos de violência contra os LGBT no país. O centro de apoio está localizado na cidade de Moscou, em local pouco movimentado para manter a discrição, com capacidade para 14 pessoas.  As atividades da instituição começaram em 2016, inicialmente para receber os LGBT refugiados da Chechênia, região russa extremamente conservadora e responsável por torturas e execuções de homossexuais em massa. 

O refúgio acolhe também aqueles que são rejeitados pela família em virtude de sexualidade ou identidade de gênero. É o caso de Nicole, que foi trancada em casa pelos parentes quando decidiu deixar seu cabelo crescer e se hormonizar para começar sua transição.  A jovem ficou por 9 meses presa em seu apartamento, tomada por inúmeros pensamentos suicidas e torturas psicológicas. Os pais da Nicole, então, cederam às súplicas da vítima e deram a ela uma passagem para Moscou, mas com a condição de que não voltasse mais a menos que quisesse morrer pelas mãos dos próprios pais. “Ainda tenho que passar por várias operações, quero construir uma nova vida e obter documentos de identidade novos. Aqui não é possível”, disse Nicole, que deseja morar na Holanda.

Grigori Chibirov, outro residente do refúgio diz que se sente em segurança no local, junto com os seus. O rapaz de 22 anos vem da região do cáucaso russo, e saiu de sua região por não ser aceito pela família, por ter sido demitido de seu trabalho e agredido pelos pais. Grigori deseja se mudar para a França e viver de moda, sua paixão profissional.  Os refugiados acreditam que a Rússia está longe de abrir mão de seu conservadorismo, “pelo menos enquanto Vladimir Putin estiver no poder”, considera Grigori. O presidente é um dos responsáveis por leis que culminam na opressão contra os LGBT, como a exaltação de símbolos dos “valores tradicionais”. A polícia proibe qualquer tipo de manifestação pública de cunho homossexual, como  a Parada Gay, e fiscaliza os atos dos cidadãos em espaços públicos e até mesmo privados. 

O abrigo permite que os residentes permaneçam no local por seis semanas, dentro de quartos com duas ou três camas. No local, além de proteção, os abrigados recebem comida, orientação e assessoria jurídica. O centro recebe várias solicitações diariamente, organizado como uma lista de espera. A maioria dos frequentadores são homens homossexuais, mas também já foram atendidas várias mulheres cis ou transexuais. 
 

Categoria: 

Tags: 




Comentar

Conteúdo relacionado