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Amigos, amigos, sexo a parte

Há algumas semanas postei em meu perfil em uma rede social a seguinte frase: “Amigos não transam”, com uma sequência mais polêmica ainda em que dizia que assumissem suas “promiscuidades” e não esquecessem que amigos eram como “família”. Volto ao tema aqui, primeiro porque algumas pessoas não entenderam a subjetividade da postagem, e também porque outros concordaram demais com ela. Não sejamos hipócritas: todos já fizeram ou quiseram fazer sexo com um amigo.



Insta, Insta meu, existe alguém com mais likes do que eu?

Li numa dessas revistas que pegam poeira em consultório médico, que nós passamos por mais de 300 aprovações por minuto quando encontramos alguém pela primeira vez na vida. Nossos corpos já começam a se comunicar antes mesmo de travarmos um diálogo. Em milésimos de segundos nós passamos uma espécie de raio X na pessoa e damos início à uma série de análises que vão desde o corte do cabelo até à forma de piscar os olhos.



A homofobia, infelizmente, é um crime organizado

Ultimamente, vemos com frequência termos "gayzistas" ou "feminazi" usados contra grupos militantes de homossexuais e de feministas, sendo usados por quem discorda de seus posicionamentos, às vezes considerados “exagerados” de forma proposital. Pois foi exatamente o nazismo que aplicou uma desumanização em nome da sua supremacia para exterminar então judeus, homossexuais, negros, e quem fosse contra seu sistema repressor.



O amor e as escolhas certas

Você sai para comprar uma calça jeans, tem consciência de que precisa muito e não há como adiar porque já deixou de ser supérfluo - é uma necessidade. Só que no caminho você se depara com um sapato lindo e fica do outro lado da vitrine namorando: é o modelo da moda, ficaria bem em você; já se vê postando fotos, usando aquela peça incrível numa festa badalada, no casamento da amiga, pensa até no seu casamento.  Aí você insiste e esquece completamente da calça jeans e opta pelo sapato: ‘Sim, vou ficar’.
 
Escolha errada.



O que há de errado com os garotos de Ipanema?

O Morro Dois Irmãos é testemunha:

–  Oi, você conhece esse garoto aqui? (Foto enviada)
–  Não, por quê?
–  Você sabia que ele está passando HIV pra geral?
–  Como assim? Deixa eu entender, ele te passou HIV?
–  Não, claro que não!
–  E como você sabe que ele é soropositivo e está contaminando todo mundo?
–  Um colega me contou...



Aquele abismo secreto que habita em todos nós

Há uma frase do pensador alemão Friedrich Nietzsche que diz: “Quando você olha para dentro do abismo, ele olha para dentro de você”. Talvez por isso, ocupamos boa parte do nosso tempo nos cercando de certezas e esperanças, e pouco olhamos para o nosso lado obscuro, aquele lugar cheio de dúvidas paralisantes. Ocupamos o tempo e a cabeça evitando olhar para o interior profundo, traumas, ou discutir as nossas questões existenciais.



Preto de tênis branco

Encontrei-o na entrada da galeria
em que tenho moradia.
Era moreno, mulato, pardo:
a sua cor fulminou-me como dardo.
A cor não me é decisiva,
porém sim a sensação, rediviva.
Era humano, mouro, mouríssimo,
fora estátua de granito, seria belo, belíssimo!
Negro, com sorriso encantador,
preto de ébano, todo sedutor.
Sorria-me com delícia, 
na face em que eu via blandícia,
Calçava tênis brancos, que como pretexto usei
para puxar a conversa que com ele travei.
Eram alvos e com esmero lavados; 
Aparentavam novos, conquanto já assaz usados. 
Fossem calças coloridas, seriam pretextos mais:
elas andam na moda e delas tenho demais.
Para palavra dar e parolar
a fim de cortejar e galantear,
tudo  sempre bem serve 
para quem tem boa verve.
Galanteado, foi-me receptivo, o que percebi
no sorriso imenso e voz doce que lhe mereci.
Foi breve o colóquio,
porém não foi vanilóquio.
A um e a outro olhamos...
o mesmo pensamos?
Logo me retirei,
porém antes lhe lancei
dito adocicado
em tom encantado:
- Lindo!
Agradeceu-me, sorrindo.
Vim-me, ele lisonjeado
e eu, com ele maravilhado. 
Arrependi-me por não haver ficado.
Se o fizera, ficara ele osculado  
nos seus lábios, com o meu fervor,
prelúdio, quiçá, do nosso amor!
Esperança tenho de mais encontrá-lo
e então, de todo conquistá-lo!
Maravilhoso aquele jovem escuro,
conquistá-lo-á o homem branco já maduro?
 

18 nov 2016
 



A barbárie da morte do homem que ousou defender uma travesti no Metrô de São Paulo no dia de Natal

Não é Aleppo, é Brasil. Não é qualquer cidade, é São Paulo, a maior metrópole da América do Sul. Não foi em um beco, foi em plena estação do Metrô. Há algo errado, muito errado. Certo estava o homem, o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, 54 anos, que foi defender uma travesti perseguida por dois homens aos berros de “vamos matar”. Ele acabou morto no dia de Natal. O crime ocorreu por volta das 20h deste domingo, dia 25.



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