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Após conturbada sessão, deputados querem revisão da eleição de pastor para presidência de Comissão de Direitos Humanos

Redação Lado A 07 de Março, 2013 17h36m

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Uma armadilha, essa é a sensação que alguns parlamentares sentem sobre a reunião desta manhã, no Plenário 14 da Câmara, que elegeu o deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Isso porque, ontem, a sessão com a pauta de eleição foi adiada por conta do grande tumulto dos manifestantes contrários à indicação do PSC. E foi prometido que o consenso seria buscado, mas não foi bem assim.
 
Na manhã de hoje, com portas fechadas, por determinação do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB – RN), o PSC insistiu na candidatura do deputado acusado de ser homofóbico e racista. O próprio presidente da comissão, o deputado Domingos Dutra (PT-MA), renunciou ao cargo por conta da ausência dos movimentos populares e saiu da votação, assim fizeram outros membros da comissão e mesmo assim o pleito seguiu adiante. Em maior número por conta de toda a bancada evangélica marcar presença, inclusive os suplentes presentes, o pastor acabou levando a votação com 11 votos a favor e 1 em branco. 
 
“Este é um triste retrocesso, estamos revivendo os idos de 1964”, acusou Dutra por conta da decisãod e fechamento da sessão por conta do presidente da casa. A deputada Érika Kokay (PT-DF) questionou a validade de um encontro fechado e pretende levar a discussão adiante. Os deputados insatisfeitos com a eleição cogitam até formar uma comissão paralela de Direitos Humanos, em protesto contra a eleição do deputado Pastor Marco Feliciano.
 
“Está sendo alçada à presidência dessa comissão uma pessoa que não teria o direito de pleitear esse cargo, porque é uma pessoa que se caracteriza por posturas racistas, homofóbicas e que ferem, a cada palavra, a laicidade do Estado e a democracia”, disse Érika Kokay que classificou a eleição como uma “história trágica”.
 
O deputado Chico Alencar (PSol-RJ) afirmou que a Câmara dos Deputados não pode assistir tranquilamente ao sepultamento da Comissão de Direitos Humanos: “Nesse momento está sendo realizada uma votação secreta para se escolher o que poderíamos chamar de um vampiro cuidando de um banco de sangue”, ironizou. 
 
Para a deputada Luíza Erundina (PSB-SP), a confirmação do deputado Pastor Marco Feliciano não vai acabar com o ânimo dos que lutam por liberdades democráticas. “Escolhemos como projeto de vida a luta pelos diretos humanos, sociais e pelos diretos de cidadania, luta essa que nos custou um preço alto na época da ditadura e da repressão”, disse. “Se imaginam que isso nos tira o alento, o ânimo, estão enganados porque nós somos revolucionários”, completou. 

Após a eleição, deputado Feliciano afirmou que vai trabalhar “como um magistrado”, à frente de comissão. Durante a eleição ainda elogiou uma deputada por sua “hombridade”. Isso é Brasil!

 
Redação Lado A

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A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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