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Índia: criança é abandonada pelos pais ao receber transfusão de sangue de pessoa trans

Redação Lado A 12 de Dezembro, 2017 13h11m

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Os pais de um bebê que padecia com anemia em um hospital jamais imaginariam que o sangue doado à criança vinha de uma mulher transgênero.  Rekha, nome fictício de uma mulher transgênero habitante da Índia, cedeu alguns minutos do seu tempo para salvar uma vida e ganhou a admiração e respeito dos pais da criança, enquanto eles ainda não a conheciam.  
 
Dias depois da doação de sangue e respectiva recuperação do bebê, os pais foram até a casa de Rekha para agradecê-la pessoalmete. Ao perceberem que a doradora se tratava de uma mulher trans, o casal recuou imediatamente e nem sequer permitiu que Recka conhecesse a criança. No dia seguinte a criança estava abandonada na porta da casa da doadora, que a levou até o hospital que confirmou que se tratava da mesma criança que recebera seu sangue.  
 
O bebê deixado na casa de Rekha trazia em seu berço um bilhete que exprimia toda a intolerância dos pais da criança. O papel dizia que a menina não era mais digna de pertencer àquela família por ter sangue de um transgênero correndo em suas veias, podendo ser “um deles”. Diante daquela situação de abandono e discriminação, Rekha acolheu a criança e decidiu adotá-la. Isso aconteceu há 6 anos.
 
Rekha se identificou com o triste destino da criança por ter sido o mesmo que ela viveu: o abandono. Seus pais a abandonaram quando ela ainda era uma criança e estava começando a entender sua transição, quando não se sentia mais como menino. Ao encontrar a menina abandonada em sua casa e entendendo que se tratava de discriminação, Rekha decidiu que não deixaria a pequena sofrer o mesmo que ela. “Eu mesma senti a dor de ser rejeitada pela própria família. Eu acho que estou ligada a ela por esse vínculo”, disse Rekha. 
 
A história da doadora e o bebê que agora é sua filha, foi publicada no site “The Stories of Change” e ilustra a dificuldade encontrada pela população LGBT para doarem sangue. Apesar de sua rotina feliz com a filha que hoje tem seis anos e frequenta normalmente a escola pública, Rekha nunca mais conseguiu doar sangue temendo passar por algum constragimento ou violência. 
 
A discriminação ao doar sangue é comumente enfrentada pela população LGBT na Índia. A Organização Nacional de Controle da AIDS (NACO) considera a  comunidade LGBT como um grupo de alto risco de infecção. Essas resoluções sustentam um argumento social de exclusão dos LGBT e incentiva a onda social de discriminação e violência. 
 
“Antes de esperar que as pessoas nos ajudem nesta causa, queremos que eles resolvam o próprio problema de discriminar a comunidade LGBTQ.”, diz Rekha, que se tornou uma ativista de luta para a inclusão dos LGBT como doadores de sangue. Para ela e o também ativista Srini Ramaswami, não há critérios na proibição da população LGBT de doar sangue, apenas o argumento de que são um grupo que facilita a infecção pelo HIV. Os ativistas acreditam que a proibição não é apenas pela tentativa de evitar  a infecção pelo HIV, mas sim uma forma de colocar os LGBT no rol dos promíscuos e desprezíveis. Esse argumento de Rekha e Srini é sustentado por uma pesquisa da entidade de apoio à pessoas com HIV, Avert, que diz que  na Índia, 87% das novas infecções no ano de 2015 aconteceram via sexo heterossexual. 
 
Um outro problema sobre doação de sangue ainda põe em risco a vida da comunidade LGBT. Na Índia, muitos bancos de sangue se recusam a fornecer o material para os LGBT e, a própria comunidade, desencorajada de doar, acaba se ausentando de ajudar um dos seus. Sobre a organização Khoon, para angariar doações para LGBT, Rekha afirma que “só esperamos que o sistema facilite a nossa comunidade o envio de sangue sempre que precisamos disso “. Para fazer conhecer ou apoiar o movimento, basta acessar a página no Facebook da Rehka ou enviar um e-mail para khoonhelpline@gmail.com.
 
 
Redação Lado A

SOBRE O AUTOR

Redação Lado A

A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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