Sex dolls: como a inteligência artificial cria a nova geração de brinquedos sexuais

Redação Lado A 12 de Julho, 2018 18h07m

Os bonecos da Abyss Creations, em San Marcos, Califórnia, são todos hiper-realistas ao toque e agora já são capazes de trocar frases simples com outras pessoas. A gente já tinha falado neles no passado. Em 2017 a Abyss Creations revolucionou mais uma vez o mercado de bonecos sexuais. Ao criar a boneca Harmony, a empresa disponibilizou um produto realista e com um software inteligente, comandado por aplicativo. Para o próximo ano, a empresa pretende lançar a versão masculina de Harmony, o boneco Henry, igualmente realista.

Uma das observações mais importantes da blogueira Zöe Ligon, especialista em sex shops, ao visitar a Abyss Creations, foi sobre os padrões das criações. Todos os bonecos atendem aos requisitos daquilo que a sociedade considera atraente. Sendo assim, as criações são sempre brancas e muito simétricas. Embora a Abyss Creations já tenha dado espaço para a fabricação de outros biotipos, a empresa entendeu que a maioria dos pedidos giram em torno dos produtos que eles já oferecem, assim, mantiveram a padronização. No entanto, é possível alterar cores dos olhos, cabelos, formato dos seios, maquiagem, entre outras características.

Usando de seus recursos para criar bonecos fiéis às características humanas, a marca também tem uma preocupação social. A empresa disponibiliza não apenas os bonecos prontos no mercado, mas suas próteses de seios para pessoas trans ou mulheres que fizeram mastectomia. Assim, é possível melhorar a vida dessas pessoas usando da tecnologia e materiais cuidadosamente criados para uso humano.

Ameaça às relações humanas

O mercado de bonecas sexuais não é algo recente. Há muitos anos os sex shops disponibilizam bonecas sexuais, mesmo que sem inteligência artificial. A evolução desses produtos atendem às demandas dos clientes numa era cada vez mais interativa e tecnológica. Desse modo, surge o questionamento sobre o uso de inteligência artificial substituir as relações humanas.

A primeira boneca de inteligência artificial se chama Samantha, e foi lançada pelo engenheiro Sergi Santos. Seu criador assegurou que as próximas versões de Samantha somente se relacionarão com os usuários que sejam gentis com elas. Isso significa que os comandos serão criados para manter um vínculo mais humano entre a boneca e seu usuário.

A preocupação sobre os bonecos servirem com receptores de atitudes ruins de seus compradores, também surge em Zöe. A artista refletiu sobre essas criações nas mãos de pessoas que as usariam como uma forma representativa de machucar outro ser humano. No entanto, Matt McMullen, criador da Abyss Creation, disse que os donos das bonecas são respeitosos com seus produtos.

Essa ideia e preocupação sobre como os seres humanos irão se relacionar com os robôs de inteligência artificial causam uma reflexão. A tecnologia evolui rapidamente nos dias atuais e as necessidades humanas nesse sentido estão cada vez mais imediatistas e exigentes. Nesse contexto, o maior questionamento de  Zöe é sobre as relações humanas. A empresária reflete sobre a possibilidade de enfraquecimento dos laços sociais quando a inteligência artificial está cada vez mais perto de compartilhar emoções.

Confira a visita de Zöe Ligon na Abys Creations

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A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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