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Por que algumas pessoas desistem de procurar o amor?

Redação Lado A 26 de Agosto, 2017 02h27m

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A forma como os humanos se relacionam passa por mudanças de tempos em tempos. O ser humano se desenvolveu através da história para ser um ser sociável, isto é, ele evoluiu necessitando de outros seres humanos para atingir sua potencialidade. Tomemos como exemplo os humanos recém-nascidos que dependem completamente de outro ser para se alimentar, se limpar, enquanto que, na maioria dos outros animais, o filhote já nasce com certa autonomia, tal qual os bezerros que já começam a andar logo após o nascimento. Ainda, só chegamos aonde estamos como espécie – arranha-céus, prédios, carros, aviões, computadores, celulares, internet – devido à nossa capacidade de transmissão de conhecimento que só foi possível pela nossa vivência como sociedade. Mas então, sabendo que o ser humano foi feito para viver com outro(s) humanos, por que algumas pessoas desistem de amar? Por que a escolha em ficar sozinha?
 
Primeiro, falemos do amor.. Ah, o amor. Sentimento desejado pela maioria e instigado pelos meios de comunicação, como nos livros, filmes, novelas e séries. A história geralmente segue sempre o mesmo ritmo: duas pessoas se conhecem, se apaixonam, algo ruim acontece que vai fazer com que esse casal encontre dificuldades, mas no FIM eles superam isso, o amor é ainda maior e vivem felizes para SEMPRE. Encontrou algum erro nessa história que nos é contada tantas e tantas vezes no decorrer de nossa vida? Não né, afinal ela é perfeita. E aí temos um dos nossos maiores problemas! A perfeição não existe. As pessoas não são perfeitas e cometem vários erros durante a vida. Nessa história a perfeição só é facilmente encontrada porque a história acaba! Agora em nossas vidas reais, serão ciclos e ciclos dessa história. A todo e qualquer momento podem existir situações de dificuldade entre o casal e cabe as partes decidir enfrentá-las (o que nem sempre é fácil) ou decidir ir embora da relação (o que as vezes também não é nada fácil). Por isso, com essa história como modelo de relacionamento, algumas pessoas acabam desistindo de tentar seguir em frente porque as dificuldades encontradas são muitas. Assim, partem pra outra.
 
Agora em outro relacionamento, a pessoa acredita que vai ser diferente, mas acabam surgindo problemas a serem superados do mesmo jeito que no anterior. Claro que alguns relacionamentos são mais fáceis que outros, como quando as duas partes estão dispostas e abdicar de algumas coisas, quando a comunicação entre o casal é boa, quando os objetivos de vida dos dois são parecidos… mas nem uma única vez em toda vida vai ser perfeito, sem nenhum problema! Então acreditar no príncipe encantado não nos faz princesas, mas sim aquele amigo do príncipe que acaba solteiro no final da história.
 
Ok, você deve estar pensando que não pode ser só isso, e eu concordo. A vida não é tão simples e nossos comportamentos geralmente têm mais de uma causa, se não seria fácil fácil mudar essa desistência em amar. Também devemos levar em consideração a mudança na forma de se relacionar! Não temos a impressão que antes não se falava em divórcio? Que os casamentos duravam mais? Apesar disso, não quer dizer que esses casamentos eram perfeitos. A mulher conseguiu sua independência na sociedade e não precisa mais ser submissa ao marido, não é mais vista apenas como propriedade do homem. Hoje ela não precisa aceitar tudo calada e não deve permanecer em um relacionamento que não a satisfaça  simplesmente porque será malvista pelos familiares, amigos e vizinhos. Mas ainda vamos além disso, precisamos constatar que a internet mudou o jeito com que fazemos as coisas. Se você está carente, basta baixar um aplicativo de pegação que logo logo sua vontade será suprimida. Talvez a culpa seja dos millenials, a própria geração que nasce conectada e agora sofre com as relações sem afeto, com as fast fodas enquanto ainda têm na cabeça que vão encontrar um amor de contos de fadas.
 
Nesse vai e vem de pessoas, as que já desistiram do príncipe encontram as que ainda acreditam nele, e literalmente, fodem com essa pessoa. Depois de tantos e tantos casos cheios de expectativas quebradas, temos mais uma pessoa que não acredita em príncipes encantados e desistiu até mesmo de encontrar um sapo. Tão machucada, a pessoa não quer mais investir em um romance que (em sua cabeça) já está fadado a falência. Ela não quer sentir aquela dor novamente, por isso, desiste do amor e aí anda com um escudo, se defendendo da mais remota possibilidade de ter um relacionamento sério. O porém nessa história é que escudo não é peneira! O objetivo dessa pessoa vai ser atingido, ela não vai mais se magoar, mas isso compensa eliminar todas as tentativas de um relacionamento bom? Pode ser que o relacionamento não dure para sempre, mas vale a pena acabar com momentos que poderiam ser ótimos? 
 
Agindo dessa maneira TODAS as experiências não serão vividas, tanto as ruins quanto as boas. Já diria uma música dos Titãs “querer sentir a dor não é uma loucura, fugir da dor é fugir da própria cura.” Portanto, se você se percebeu nesse texto, não desista! Ajuste suas expectativas de acordo com a realidade do mundo atual e continue a procura, sem pressa e sem pressão. Todo mundo em algum momento encontra alguém, mas para isso acontecer é necessário que a pessoa esteja aberta a receber esse alguém! Esteja disposto a viver bons momentos com alguém que talvez não seja a pessoa que vai passar o resto da vida junto com você! Viva o aqui e o agora, aproveite os momentos, experimente!

(T.S.)

 
Where there is desire, there is gonna be a flame
Where there is a flame, someone’s bound to get burned
But just because it burns, doesn’t mean you’re gonna die
You gotta get up and try, and try, and try
Try – P!nk
 
Onde há desejo, haverá uma chama
Onde há uma chama alguém está sujeito a se queimar
Mas só porque queima não significa que você vai morrer
Você tem que se levantar e tentar, e tentar e tentar
Tentar – P!nk (tradução Vagalume)
 
Redação Lado A

SOBRE O AUTOR

Redação Lado A

A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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