Chelsea Manning é convidada, e logo depois desconvidada a dar aulas em Harvard

A universidade de Harvard retirou nessa sexta, o convite que tinha feito a Chelsea Manning, ex-soldado transexual condenada por ter vazado arquivos de inteligência dos Estados Unidos, para que fosse acadêmica convidada e oradora, onde iria falar sobre a identidade das pessoas transexuais e homossexuais nas Forças Armadas.
 
O motivo do cancelamento foi que, após ser anunciada a presença de Manning, no último dia 13, duas altas figuras da espionagem americana desmarcaram suas presenças em eventos na aclamada universidade: O diretor da CIA, Mike Pompeo cancelou a palestra que daria na próxima quinta-feira, devido ao seu desagrado pelo convite feito a um ‘traidor americano’; no mesmo dia, Michael Morell, ex-diretor interino da CIA e atual professor em Harvard, também reagiu a decisão, e apresentou sua demissão.
 
Entretanto, o reitor Douglas Elmendorf disse que Manning ainda falará aos estudantes da universidade, mas não como acadêmica visitante: “Nós mantemos o convite para que ela passe o dia na Kennedy School e fale em nosso auditório”, disse. Sobre a decisão, ele afirmou: “Eu agora penso que nomear Chelsea Manning como uma acadêmica visitante foi um erro, pelo qual eu assumo a responsabilidade. Eu vejo mais claramente agora, que muitas pessoas veem esse  título como uma honra, então precisamos ponderar quem escolhemos”, disse.
 
A ex-soldado reagiu nas redes sociais, com ironia sobre o fato: “Honrada por ser a primeira mulher trans a ser desconvidada para visitar Harvard. Eles silenciam as vozes marginalizadas com a pressão da CIA”, postou em seu Twitter. Conhecida entes como Bradley Manning, em 2009, Chelsea serviu ao exército americano, onde  foi enviada ao Iraque para ser analista de inteligência. Em 2010, após ser responsável pelo maior escândalo de vazamento de informações confidencias ocorrido na história dos EUA, que originou o WikiLeaks, foi condenada a 35 anos de prisão, onde anunciou ser trans e começou a sua transição de gênero em 2013. 

Em maio deste ano, ela foi libertada, em perdão do ex-presidente Barack Obama. Atualmente, Chelsea escreve para os jornais The Guardian e New York Times, e é defensora dos direitos das pessoas transgêneros.  

 

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