Torcedor gay diz que campanhas contra LGBTfobia na Rússia são exagero

Redação Lado A 18 de Junho, 2018 19h28m

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Contrariando as inúmeras campanhas sobre o ambiente nocivo que a Rússia proporciona aos LGBTs, um torcedor considera todo esse esforço desnecessário. Em reportagem do site Yahoo, o torcedor gay russo Maksim, de 31 anos, diz que todo o alerta destinado aos torcedores gays não passa de “exagero”.

Desde 1993 a homossexualidade não é mais crime na Rússia. Por outro lado, uma lei de 2013 estabeleceu que nenhum conteúdo LGBT fosse veiculado no país. Apesar de, nos termos da lei, a homossexualidade ser “tolerada”, a cultura do país não permite que a comunidade LGBT viva com cidadania. Os crimes de LGBTfobia não são contabilizados e suas vítimas não contam com nenhuma iniciativa de proteção do Estado. Por isso, diversas organizações, inclusive brasileiras, indicaram alguns cuidados a serem tomados com os turistas LGBT que visitarem o país em virtude da Copa do Mundo.

Toda essa movimentação e alerta de cuidado para o público gay incomodou o russo Maksim. Ele se considera um opositor do conservador presidente Vladimir Putin, mas seu discurso se assemelha ao dos preconceituosos. O torcedor russo disse que todos esse cuidados provocam uma “russofobia” e pintam uma imagem distorcida de seu país.

Apesar de reconhecer que existe homofobia na Rússia, Maksim acredita que existem limitações. Para ele, a única forma de proteção contra a LGBTfobia do país é que os turistas dessa comunidade se comportem de forma “adequada”. Esse discurso é exatamente o mesmo das autoridades russas, que não toleram demonstrações de afeto de LGBTs sob o argumento da “Lei da propaganda”. Essa norma foi introduzida em 2013 e além de não permitir conteúdo LGBT nas escolas, reprime qualquer manifestação pública.

Patriota, Maksim explana seu discurso em conformidade com seu país, mas já sofreu repressão. O torcedor disse que já foi agredido por um taxista ao sair de uma casa noturna LGBT. A agressão foi justificada pela própria vítima que disse estar bêbada e ter infringido as leis do país.

Mesmo admitindo que a Rússia é LGBTfóbica e trazendo uma agressão por sua sexualidade, Maksim critica duramente qualquer ativismo LGBT. Para ele, nenhuma manifestação é eficaz, seja durante o mundial ou não. O torcedor ainda provoca que os gays da Rússia não precisam das movimentações contra a LGBTfobia. A principal crítica é contra os ocidentais pois considera que apenas os gays fracos são coniventes com isso.

Polêmica na abertura da Copa do Mundo

No contexto LGBTfóbico da Rússia, as apresentações de Robbie Williams e Ronaldo Fenômeno chamou a atenção. Os jogador de futebol e o cantor possuem histórico de escândalo sexuais. Mesmo que se considerem heterossexuais já foram vistos em relações  que surpreenderam os fãs.

Robbie Williams já declarou em 2016 que aos 21 anos de idade teve dúvidas sobre sua sexualidade. Em outras entrevistas, chegou a admitir que sente atração por homens, mas nunca confirmou uma possível bissexualidade. Sua participação na abertura da Copa do Mundo, com direito a gesto obsceno, despertou comentários. O parlamentar britânico Chis Bryant sugeriu no Twitter que Williams doasse seu cachê para instituições de apoio LGBT.

Em 2008, o jogador Ronaldo Fenômeno também foi notícia devido aos escândalos. O atleta foi acusado pela travesti Andrea Albertini de não pagar por um programa. O caso foi parar na delegacia do Rio de Janeiro e Ronaldo disse que foi para o motel com Andrea e mais três travestis sem saber dessa condição.

A participação do cantor e do atleta ilustram a falta de representatividade para a comunidade LGBT no evento. Apesar de configurarem um grupo de turistas dispostos a contribuir para a economia do país, são reprimidos enquanto estiverem por lá, podendo ser o que são apenas de forma oculta. Certamente, a oportunidade de participar da abertura da Copa do Mundo seria anulada caso Ronaldo e Robbie Williams fossem assumidamente gays, contrariando a ideia do torcedor Maksim sobre uma Rússia inclusiva.

Aliás, o gênio da múdica clássica Piotr Ilitch Tchaikovsky foi homenageado em um concerto de pré abertura da Copa. O compositor russo do século XIX era sabidamente homossexual. Em uma produção russa recente, foi proibida a abordagem de sua sexualidade. A mensagem russa é que homossexuais podem existir, desde que não se manifestem publicamente ou demonstrem afeto. É uma vida no armário que muitos russos devem compartilhar em silêncio.

 

Redação Lado A

SOBRE O AUTOR

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A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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