Transexual e gay, policial civil apoia PM ameaçado por beijar outro homem no metrô de São Paulo

Redação Lado A 15 de Julho, 2018 23h33m

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“Vocês não estão sozinhos”, disse o policial civil Paulo Vaz, 33 anos, em apoio ao policial militar Gay Leandro Prior, ameaçado após beijar outro policial em público. A declaração de Vaz também se dirigiu aos demais LGBTs que fazem parte das corporações da Segurança Pública. O policial civil é um homem transexual e gay que trabalha na Delegacia de Imbiúna, no interior de São Paulo.

Paulo Vaz demonstrou seu apoio através de uma postagem no Instagram. O investigador se referiu a aceitação que recebeu em sua corporação desde que começou a atuar na Polícia Civil. Surpreso pelas ameaças que o policial militar Leandro Prior recebeu, Vaz resolveu se posicionar. Segundo ele, é necessário “levantar a bandeira” para combater o preconceito nas instituições.

“Vendo seu depoimento e a falta de apoio mesmo com tantos colegas de profissão que vivem a mesma situação mas nada dizem pelo mesmo medo que atinge todos nós, pensei muito e cheguei a conclusão de que não posso me calar ou me omitir. Não quero. Porque se fosse comigo (ou qualquer outro), eu também me sentiria ajudado e fortalecido com esta demonstração.”, publicou.

Paulo Vaz passou pela transição de gênero após entrar para a Polícia Civil. O policial declarou em entrevista ao G1 que desde criança não se sentia como uma mulher, mas não conhecia nada sobre transgeneridade. Foi então que na fase adulta recebeu todo o apoio da família e comunidade LGBT para começar seu processo de transição. Vaz namora desde abril deste ano o Youtuber Pedro HMC, do canal Põe na Roda.

Leandro Prior

No dia 29 de junho o policial militar Leandro Prior, de 27 anos, pediu para ser afastado de suas funções. Devido ao vídeo em que aparece beijando outro policial, Prior começou a sofrer uma verdadeira perseguição. A gravação foi feita sem autorização dentro de um metrô em São Paulo e rapidamente viralizou nas redes sociais.

Prior recebeu inúmeras ameaças homofóbicas depois que o vídeo foi veiculado. Muito abalado e temendo por sua segurança, o policial foi internado em um hospital da Polícia Militar enquanto as investigações buscavam a origem dos comentários e do vídeo.

Algumas suspeitas recaíram em outros policiais que estariam veiculando comentários homofóbicos. Para José Beraldo, advogado de Leandro, o beijo no metrô não compromete o trabalho do PM e qualquer manifestação contra o ato configura homofobia. Beraldo disse ainda que se trata apenas de um selinho e não foi manifestado nenhum gesto inadequado. A Policia Militar também disponibilizou uma equipe para cuidar da segurança de Leandro.

Confira a postagem de Paulo Vaz

Eu, como investigador da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Homem Trans e Gay, gostaria de demonstrar o meu apoio não apenas ao PM Leandro, mas todos os LGBTs que estão nas corporações policiais: vocês não estão sozinhos. Vendo seu depoimento e a falta de apoio mesmo com tantos colegas de profissão que vivem a mesma situação mas nada dizem pelo mesmo medo que atinge todos nós, pensei muito e cheguei a conclusão de que não posso me calar ou me omitir. Não quero. Porque se fosse comigo (ou qualquer outro), eu também me sentiria ajudado e fortalecido com esta demonstração. Infelizmente ainda vivemos em uma sociedade onde a homofobia e transfobia predominam, estão enraizadas. Mas não é pra isso que estamos aqui? Para servir e ajudar o mundo a evoluir? Me orgulho de ser quem sou e de cada um de vocês que ajudam a quebrar as barreiras do preconceito. Não desistam dos seus ideais, não desistam dos seus sonhos. Estamos aqui. Juntos, existimos e resistimos, e com nossos esforços, tempos melhores virão. Tempos em que a orientação sexual, a etnia, a classe social, a religião, a cor, a identidade de gênero não vai importar, mas sim o caráter, a capacidade, coração e índole de cada um, não só na Polícia mas na sociedade como um todo. Gostaria de aproveitar e agradecer à Polícia Civil do Estado de São Paulo e a Acadepol por sempre ter sido bem recebido e tratado com respeito, principalmente por colegas de profissão e professores, todos até hoje, e que assim continue sendo. Eu mesmo me surpreendi algumas vezes quando achei que seria muito mais difícil pela minha condição, e acabei encontrando dentro da corporação muitas pessoas boas, bem intencionadas e que exercem respeito e tolerância, a maioria ao contrário do que acaba parecendo quando algum preconceituoso se exalta e acaba afetando a imagem de toda uma corporação. Como todos juramos ao escolher esta profissão, acima de tudo, estamos aqui pra defender a vida. Muito obrigado. #trans #paulovaz #transman #homemtrans #policia #lgbt #ftm #gay #transguy

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SOBRE O AUTOR

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A Revista Lado A é a mais antiga revista impressa voltada ao público LGBT do Brasil, foi fundada em Curitiba, em 2005, pelo jornalista Allan Johan e venceu diversos prêmios. Curta nossa página no Facebook: http://www.fb.com/revistaladoa

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